Recentemente escrevi – sinteticamente – sobre o reflexo de um avivamento em uma sociedade, e de como ele afeta, não somente a Igreja (o povo de Deus), mas a sociedade como um todo. Agora, de maneira mais aprofundada, irei abordar como o cristianismo afeta, e já  afetou, a esfera da economia em uma sociedade.

Não será uma aula de economia, até porque não sou a pessoa mais capacitada para fazer isso, mas iremos ver que, ao longo da história, onde o cristianismo se estabeleceu, transformou a vida de pessoas, desde as mais ricas às mais pobres, gerando uma mudança de hábitos, comportamentos e maneira de conduzirem suas vidas.

O cristianismo não visa melhorar a economia, mas sim em ter um relacionamento com Deus e salvar as pessoas do pecado mediante a fé. A mudança na economia é apenas uma consequência de uma vida restaurada, pois a pessoa redimida passaria a ter novos hábitos e uma nova mentalidade, o que acabaria refletindo em suas finanças, pois viveria aplicando alguns princípios que estão na Palavra.

Diversas vezes a Bíblia fala sobre bênçãos. Dentro das promessas, há bênçãos espirituais e bênçãos econômicas (veja Joel 2:18-32). Outro exemplo é o que está em Zacarias 8:

“Mas, agora, não serei para com o resto deste povo como nos primeiros dias, diz o Senhor dos Exércitos. Porque a semente prosperará, a vide dará o seu fruto, e a terra dará a sua novidade, e os céus darão o seu orvalho; e farei que o resto deste povo herde tudo isto. E há de acontecer, ó casa de Judá e ó casa de Israel, que, assim como fostes uma maldição entre as nações, assim vos salvarei, e sereis uma bênção; não temais, esforcem-se as vossas mãos.”

Zacarias 8: 11-13

E Deus dá uma instrução à essas promessas:

“Eis as coisas que deveis fazer: falai verdade cada um com o seu companheiro; executai juízo de verdade e de paz nas vossas portas; e nenhum de vós pense mal no seu coração contra o seu companheiro, nem ame o juramento falso; porque todas estas coisas eu aborreço, diz o Senhor.”

Zacarias 8:16-17

Ou seja, quando obedecemos, andamos segundo a vontade de Deus, podemos experimentar das bênçãos que Ele tem. A obediência é uma resposta ativa e positiva àquilo que ouvimos. Deus quer que as pessoas obedeçam à Sua revelação. A desobediência resulta em castigo. Na Antiga Aliança entre Deus e os homens, a obediência era a base para se experimentar as bênçãos e o favor de Deus (Êx 19:5).

Em Deuteronômio 28 vemos um rol de bênçãos para o Seu povo, como: “serão abençoados no campo”, “vocês serão abençoados em tudo o que fizerem”, “o Senhor enviará bênçãos aos seus celeiros”, “o Senhor abrirá o céu, o depósito do seu tesouro, para enviar chuva à sua terra no devido tempo e para abençoar todo o trabalho das suas mãos. Vocês emprestarão a muitas nações, e de nenhuma tomarão emprestado”.

Logo no início do Livro de Salmos já fala das consequências de um homem que anda com Deus, que ele prosperará.

“Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite. Pois será como a árvore  plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará.”

Salmos 1:1-3

No salmo 128 também há menção a essa prosperidade segundo Deus:

Como é feliz quem teme ao Senhor, quem anda em seus caminhos! Você comerá do fruto do seu trabalho, e será feliz e próspero. Sua mulher será como videira frutífera em sua casa; seus filhos serão como brotos de oliveira ao redor da sua mesa. Assim será abençoado o homem que teme ao Senhor!

Salmos 128:1-4

Vale ressaltar, em tempo, que não estou querendo dizer que se, porventura, alguém estiver passando alguma necessidade financeira estará em pecado ou desobediência. Vale observar cada caso, pois também não se pode louvar a pobreza ou a desordem financeira.

Alguns exemplos na história nos ajudam a entender e nos mostram como o cristianismo mudou a cultura e a economia de uma sociedade, como o avivamento wesleyano, em meados do séc. XVIII, onde, por causa da Revolução Industrial que havia deixado muitas pessoas sem empregos, cerca de 80% dos habitantes do Reino Unido ficaram em situações de extrema pobreza e diversos problemas sociais, como alcoolismo, promiscuidade total, crianças abandonadas, analfabetismo, tornavam a qualidade de vida da sociedade muito ruim. 

John Wesley lançou uma campanha para abertura de novas igrejas e para realizar mudanças na vida das pessoas. E foi tão bem sucedido que cerca de 1 milhão de pessoas tiveram suas vidas alteradas. O historiador Élie Halévy comentou que o impacto do reavivamento promovido por Wesley ajudou a criar uma classe média no Reino Unido e salvou o país de uma revolução sangrenta, como aconteceu, por exemplo, na França, onde o rei Luís XVI acabou morto.

Os resultados práticos da campanha de Wesley foram: as pessoas abandonaram hábitos pecaminosos – como o vício da bebida ou o abandono das crianças não desejadas. Esses hábitos ruins foram substituídos por outros muito mais saudáveis, que tornaram as pessoas produtivas e mais sábias no uso do dinheiro que ganhavam, inclusive aprendendo a poupar. Também, o esquema de escolas dominicais implantadas pelos seguidores de Wesley (os metodistas) alfabetizou centenas de milhares de pessoas, tornando-as mais produtivas e participantes da sociedade.

Em consequência, as pessoas prosperaram financeiramente. E essa prosperidade movimentou o mercado de consumo, o que gerou novos investimentos e novas possibilidades de trabalho. E a prosperidade se espalhou pela sociedade como um todo.

Outro adendo que deve-se fazer a esse movimento foi o cuidado aos pobres e aos enfermos na sociedade. Os metodistas compreendiam mui imperfeitamente o vasto significado da Revolução Industrial, mas enxergavam claramente a pobreza e a miséria que ela produzia. Portanto, não tentaram sanar a causa, mas “arregaçaram as mangas” para auxiliar as vítimas da Revolução. John Wesley expôs a sua filosofia de mordomia cristã no seu sermão intitulado “O uso do dinheiro”, no qual estabeleceu 3 critérios que seguem: “(1) Ganhar tanto quanto possível. (2) Guardar tudo que possível. (3) Dar tudo que possível”.

Wesley encarava a vocação do mesmo modo que Calvino, não considerando nenhum serviço honesto como secular. Cada pessoa devia fazer bem o seu serviço, lembrando que, no trabalho cotidiano, estava servindo a Deus. A diligência no trabalho, a economia, a generosidade para o trabalho de Deus eram, por ele, consideradas coisas sábias. Esta filosofia resultou na elevação material do povo chamado metodista, dentro de poucas gerações, tornando-se a pobreza aguda quase desconhecida no seu meio.

Outro exemplo foi o avivamento nos EUA, no séc XVIII, liderado por Charles Finney, onde pessoas deixaram vícios, a prostituição e a criminalidade. De acordo com o promotor de Rochester, o avivamento naquela cidade resultou numa diminuição de dois terços na índice de criminalidade, mesmo com a população da cidade triplicando depois do avivamento. Anos mais tarde, o Dr Henry Ward Beecher, ao comentar esse poderoso reavivamento e seus resultados, declarou: “Essa foi a maior obra de Deus e o maior reavivamento da religião que o mundo já viu em prazo tão curto. Calcula-se que cem mil indivíduos se uniram às igrejas como resultado desse enorme reavivamento.” No período entre 1831 e 1835, mais de 200.000 foram convertidos.

Ora, uma sociedade com baixos índices de criminalidade, reflete em uma melhoria de qualidade de vida e, por conseguinte, em sua economia.

O País de Gales foi totalmente transformado pelo avivamento que se sucedeu no século XIX, nos anos 1904 e 1905. Foi um dos mais impressionantes moveres de Deus, um país inteiro foi transformado, onde 100 mil pessoas aceitaram o Senhor Jesus como seu Senhor e Salvador.

Em Almolonga, na Guatemala, nos anos 90, também houve um reavivamento. Almolonga estava sob uma escura nuvem de opressão satânica, cheia de famílias disfuncionais, que estavam devastadas pela bebida, pelo adultério, o maltrato às esposas e o abandono dos filhos por parte dos homens. Agora, Almolonga já não sofre de pobreza causada pelas secas crônicas e fome. Agora experimenta uma plenitude na agricultura, produzindo vegetais que têm recorde em tamanho. As cenouras do tamanho do antebraço de um homem. As colheitas são sustentadas pela provisão natural de água que vem de baixo da terra ao invés de depender das chuvas. Os camponeses distribuem seus produtos por toda a América Central em caminhões Mercedes Benz que tem comprado à vista, batizando cada um com nomes cristãos.

Antes de que Almolonga fosse transformada, tinha não menos de seis cadeias lotadas de pessoas, onde eram levadas as que roubavam, descumpriam a lei e cometiam delitos nas ruas. Mas, há vários anos, foi fechada a última prisão pela falta de crimes e foi transformada num Salão de Honra, que é usado para bodas e celebrações. Almolonga era uma constante vítima de pragas, enfermidades e tormentas violentas. Agora tem desaparecido, ainda que a cidade vizinha de Zunil, a só três quilômetros de distância, a qual ainda honra ao ídolo Maximón, continua sendo vítima desses fenômenos. Almolonga hoje tem uma das qualidades de vida mais elevada da América Central.

No livro Comunidade transformada pela oração, de Hector Torres, diz que o contraste é palpável e real para todos aqueles que se lembram como há vinte e cinco anos atrás, os demônios, a pobreza, a enfermidade, a idolatria e o álcool dominavam esta região e seus habitantes. Alguns chamam Almolonga de “Cidade Milagrosa”, pela radical reforma de sua cultura quiche (descendente dos Maias). A cidade é um exemplo de primeira linha para todo mundo e respeito de como a intercessão, a guerra espiritual e o evangelismo podem transformar uma comunidade.” (Página 18, Vida Cristiana, setembro e outubro de 1998).

Em Cali, na Colômbia, em 1995, experimentou-se uma queda na criminalidade, fruto de um avivamento que teve na sociedade através da união dos líderes das igrejas e do prefeito da cidade, em um dia de louvor e oração, eles oraram e o prefeito da cidade determinou que Cali era do Senhor Jesus. 48 horas depois, em uma cidade que havia uma média de 15 homicídios por dia, o Jornal anuncia: “nenhuma morte no final de semana.” E vários chefes dos quartéis foram presos.

O mesmo ocorreu na Coreia do Sul, que estava assolada após inúmeras guerras que envolveram o país. Atualmente, a Coreia do Sul é o lar das maiores igrejas do mundo. Em 1914, um em cada cem coreanos era protestante; já em 2010, um em cada três coreanos era cristão. Em todas as igrejas na Coreia do Sul há a oração da madrugada, onde os membros acordam às 4:30 da manhã para orarem, depois vão para os seus trabalhos. O cristianismo é identificado com a modernização e reforma social da Coreia do Sul, pois a igreja sempre esteve à frente nas grandes lutas e tensões sociais, determinando o rumo das mudanças mais importantes do país. Lá os crentes ocupam os principais postos estratégicos de liderança da nação. A Igreja, na verdade, é a esperança da nação.

Há pesquisas internacionais que apontam que a prosperidade de um povo está ligada ao nível de confiança que há entre as pessoas (capital social). E a confiança é adquirida a partir de condutas morais éticas aceitáveis, e não mentindo, trapaceando, passando o outro para trás e se corrompendo. Porque, havendo confiança, há negociações e, havendo negociações, há rendas distribuídas na sociedade. O bem estar de uma nação, assim como a sua capacidade de competir, são condicionados por uma única e pervasiva característica cultural: o nível inerente de confiança na sociedade. (Francis Fukuyama, “Trust”, The Free Press, 1995: 7.).

Edmund Burke (1730-1797), em sua principal obra Reflexões sobre a Revolução na França, faz uma crítica aos revolucionários que, motivados por salvar a economia do país, queriam o confisco das propriedades da Igreja (aqui não estou fazendo um juízo de valor sobre isso), porém, alega Burke, que ao fazerem isso, eles estavam na verdade atacando o sistema francês e suas maneiras e costumes religiosos, o que implicaria na própria  destruição da economia, pois era o comércio que dependia das maneiras, não o contrário. Uma sociedade civilizada, alega Burke, é o pré-requisito para as relações de troca, e estas, por si só, não podem produzir uma sociedade civilizada.

Insistindo que o comércio só logra florescer sob a sombra das maneiras – as quais requerem a preeminência da religião e da nobreza, os protetores naturais da sociedade -, o liberal-conservador irlandês sustentava que a derrocada da religião e da nobreza implicaria na destruição da própria possibilidade do comércio.

À vista de tudo isso, impreterível é o cristianismo para uma sociedade saudável espiritualmente e fisicamente. Pessoas transformadas por Deus farão seu trabalho com empenho e dedicação, como se fosse para o próprio Deus (Cl 3:23), e isso fará com que ela lhe vá bem. Pessoas transformadas por Deus não irão se corromper. Pessoas transformadas por Deus irão se comprometer em diminuir a pobreza, a criminalidade, a prostituição e a injustiça. Pessoas transformadas por Deus irão se comprometer em defender os Seus princípios e valores. Se o Brasil for uma nação que teme ao Senhor, poderemos sentir o impacto desses moveres de Deus que as outras nações sentiram ao longo da história.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *